Discord demorou até 17 dias para remover servidores com estupros virtuais
Relatórios da Polícia Civil de SP mostram que a plataforma levou até 17 dias para retirar servidores com crimes graves.
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Relatórios obtidos com exclusividade pela GloboNews revelam que o Discord demorou, em alguns casos, quase 17 dias para remover servidores e transmissões ao vivo com conteúdos de automutilação, suicídio, estupros virtuais, maus-tratos a animais, abuso sexual infantil, ataques a moradores de rua e ameaças a escolas. Os documentos reúnem ao menos 63 comunicações emergenciais feitas pelo Noad (Núcleo de Observação e Análise Digital), da Polícia Civil de São Paulo, entre maio de 2025 e janeiro de 2026. O tempo médio de resposta da plataforma foi de 17 horas, mas casos específicos chegaram a 17 dias.
Demora em casos emergenciais
Segundo os relatórios, mesmo em solicitações classificadas como emergenciais, nas quais havia risco de vida, a plataforma levou em média 17 horas para intervir. Esse cálculo não inclui o tempo que os policiais levam para acessar o sistema, preencher formulários e justificar a urgência. Para a Polícia Civil, essas etapas já representam um atraso relevante.
- Maior demora: 16 dias, 18 horas e 29 minutos para remover um servidor onde se planejava o sacrifício de gatos. O alerta foi em 15 de julho de 2025, e a remoção só ocorreu após reiterações.
- Outro caso: 188 horas e 23 minutos para retirar um servidor de estupro virtual e automutilação, denunciado em 5 de agosto de 2025.
- Menor tempo: 16 minutos para remover um servidor, em 11 de junho de 2025.
Críticas à moderação e cadastro
A Polícia Civil aponta que o Discord não possui mecanismos adequados para impedir o acesso de menores a conteúdos ilegais. A criação de contas exige apenas um nome de exibição e data de nascimento, sem verificação de e-mail ou telefone, permitindo o uso de informações falsas. Segundo o Noad, a plataforma permite nomes inadequados e a criação sucessiva de contas com pequenas alterações.
Entre os conteúdos mapeados estão: 34 situações de automutilação, 22 de estupro virtual, 15 de incitação ao suicídio, 10 de maus-tratos a animais, 7 de abuso sexual infantil, 4 de ataques a moradores de rua, 3 de exploração sexual de crianças e 2 de apologia ao terrorismo.
Ações judiciais e suspensão de lives
As transmissões ao vivo do Discord estão suspensas no Brasil desde 12 de agosto, após determinação da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados). A agência considerou que as medidas da plataforma eram insuficientes para prevenir riscos a crianças e adolescentes.
No dia 2 de setembro, está marcada uma audiência de conciliação na Justiça Federal do Distrito Federal, após o governo federal processar o Discord para obrigá-lo a ampliar a segurança. Em São Paulo, uma ação civil pública foi ajuizada pelo Ministério Público, com base em inquérito reaberto em fevereiro de 2026 após novos elementos da Polícia Civil indicarem falhas na prevenção de crimes.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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