Operação contra fraude fiscal e propina em SP mira em MS nesta quinta
Ministério Público de São Paulo cumpre um mandado em Mato Grosso do Sul contra esquema de corrupção tributária.
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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) cumpre, nesta quinta-feira (3), um mandado de busca em Mato Grosso do Sul como parte da operação que investiga um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na área tributária paulista. A ação, desdobramento da Operação Ícaro, realizada em agosto de 2025, mira uma organização criminosa que atuava na Secretaria da Fazenda de São Paulo.
Ao todo, são dois mandados de prisão preventiva e 47 de busca e apreensão em endereços na capital paulista, Grande São Paulo, interior e em Mato Grosso do Sul. A reportagem questionou o MPSP sobre a cidade alvo em MS, mas não obteve resposta até a publicação.
Presos e alvos da operação
Foram presos preventivamente o advogado João André Buttini de Moraes e André Weiss, ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária, apontado pela Folha de S.Paulo como o ‘número 3’ da Fazenda paulista. Na primeira fase da Operação Ícaro, um dos alvos foi o empresário Celso Éder Gonzaga de Araújo, que já morou em Campo Grande e foi apontado como elo central na lavagem de dinheiro. Ele não está na lista de alvos desta nova etapa.
Crimes apurados e mercado clandestino
As investigações apuram crimes de organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O esquema envolvia procedimentos de ressarcimento do ICMS-ST (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e aproveitamento de crédito acumulado.
Segundo o MPSP, o grupo transformou um mecanismo tributário legítimo em um ‘mercado clandestino’, onde eram negociados créditos fiscais e atos administrativos para liberação. As vantagens indevidas variavam entre 1% e 10% dos créditos fiscais.
Estrutura do esquema e valores
A organização era dividida em núcleos público e privado. Profissionais particulares captavam grandes contribuintes, negociavam facilidades e repassavam parte dos honorários a agentes públicos, que interferiam na fiscalização e tramitação dos processos.
- Valores repassados: Um dos alvos teria enviado cerca de R$ 13,6 milhões ao então delegado regional tributário do Butantã entre 2021 e agosto de 2025.
- Provas utilizadas: Colaboração premiada, documentos manuscritos, quebras de sigilos bancário e fiscal, relatórios do Coaf, dados de aparelhos eletrônicos e gravação ambiental periciada.
A operação é conduzida pelo Gedec (Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos), do Ministério Público de São Paulo.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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