Médico de 78 anos preso por feminicídio tem novo pedido de soltura no STJ
Defesa do médico João Jazbik Neto, preso preventivamente por feminicídio da esposa, pede revogação da prisão no STJ alegando fragilidade das provas.
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A defesa do médico João Jazbik Neto, de 78 anos, preso preventivamente por feminicídio contra a esposa Fabíola Marcotti, protocolou novo habeas corpus no STJ (Superior Tribunal de Justiça) nesta segunda-feira (14). Os advogados José Belga Assis Trad e Mário Ângelo Guarnieri Martins pedem liminar para suspender a decisão que restabeleceu a prisão preventiva em 3 de setembro.
Defesa alega problemas de saúde e pede prisão domiciliar
Os advogados querem que o médico volte a responder ao processo em liberdade, submetido às medidas cautelares fixadas anteriormente pela Justiça sul-mato-grossense. Caso o pedido não seja aceito, solicitam a conversão da prisão em domiciliar.
A alegação é de que o acusado tem idade avançada e problemas cardíacos graves, o que tornaria sua permanência no sistema prisional um risco à saúde e à vida.
Novo pedido chega ao STJ após sucessivas reviravoltas
O processo foi encaminhado ao gabinete do ministro Rogerio Schietti Cruz, da Sexta Turma. A defesa questiona a decisão que revogou a liminar anterior e restabeleceu a prisão preventiva.
Fabíola morreu em 18 de maio deste ano. Conforme a defesa, o próprio marido acionou a Polícia Militar para comunicar o que teria sido um suicídio. Jazbik acabou preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo e fraude processual, mas não foi autuado naquele momento por feminicídio.
Investigação aponta suspeita de fraude na cena do crime
A suspeita de fraude surgiu porque armas e munições teriam sido retiradas de um cômodo da propriedade antes da chegada da polícia. Segundo a acusação, a mudança teria alterado a cena encontrada pelos agentes.
Na audiência de custódia, realizada em 20 de maio, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva. Dois dias depois, o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) concedeu liminar que permitiu a soltura do médico.
Nova prisão foi decretada após avanço das investigações
Em 8 de julho, a 1ª Câmara Criminal confirmou, por unanimidade, a substituição da prisão por medidas cautelares. Entre as determinações estavam:
- Suspensão: dos registros e da posse de armas;
- Proibição: de contato com testemunhas;
- Recolhimento domiciliar: noturno;
- Monitoramento: uso de tornozeleira eletrônica.
Após a conclusão de laudos periciais e o avanço da investigação, a polícia representou por uma nova prisão preventiva. O pedido foi aceito em 14 de agosto pela 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. A decisão considerou que os elementos obtidos reforçaram os indícios contra o médico, além de apontar necessidade de preservar a ordem pública e a instrução criminal.
Defesa alega indícios de suicídio e contesta feminicídio
A defesa de Jazbik questiona a hipótese de feminicídio e afirma que, inicialmente, a cena foi considerada compatível com suicídio. Segundo os advogados, foram encontrados manuscritos atribuídos a Fabíola com referências a ideação suicida e mensagem de despedida.
Uma perícia grafotécnica apontou convergência entre a escrita dos bilhetes e a grafia da vítima. A defesa recorreu da nova prisão e obteve outra liminar em 19 de agosto. O médico foi solto no dia seguinte, permanecendo submetido às medidas cautelares.
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), porém, apresentou recurso. O órgão argumentou que a mudança da imputação, os resultados da investigação e a suposta alteração da cena constituíam elementos suficientes para justificar a prisão.
Em 3 de setembro, o desembargador Emerson Cafure reconsiderou a decisão anterior, revogou a liminar e restabeleceu a prisão preventiva. Agora, a defesa tenta reverter a situação no STJ.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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