Dia do Trabalhador 2026: Centrais pedem fim da escala 6×1 e criticam pejotização em São Paulo
Manifestantes na Praça Roosevelt também cobram combate ao feminicídio e reforçam apoio à CLT, em meio a projeto governamental de 40 horas semanais.
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Centrais sindicais e movimentos sociais tomaram as ruas de São Paulo na última sexta-feira, 1º de maio de 2026, para o tradicional Dia do Trabalhador. Na Praça Roosevelt, no centro da capital paulista, os manifestantes ergueram suas vozes em defesa do fim da escala de trabalho 6×1, que exige seis dias de labor para um de descanso, e por urgentes medidas de enfrentamento ao feminicídio em todo o país. Cartazes e camisetas estampavam críticas diretas à atuação de parlamentares no Congresso Nacional, refletindo a insatisfação popular.
Um dos pontos centrais do protesto foi a crescente “pejotização” – a contratação de profissionais como Pessoa Jurídica (PJ) em vez de empregados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O professor da rede pública, Marco Antônio Ferreira, alertou para o desafio de conscientizar as novas gerações sobre a importância dos direitos trabalhistas garantidos pela CLT. “A gente, que é educador, não desiste nunca. Vemos muita gente para quem a ficha já caiu e acho que é luta. Gradativa e organizada, para trazer essa reflexão, ao máximo, para as pessoas enxergarem o mundo que está sendo construído, que não é um mundo melhor”, argumentou Ferreira, destacando a perda de férias remuneradas, 13º salário e garantia de salário em caso de doença para quem atua como PJ, muitas vezes como Microempreendedor Individual (MEI).
Nesse cenário de precarização, o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) tem ganhado força no Brasil, enquanto setores empresariais se opõem à redução da jornada. Em resposta a essa demanda, o governo federal enviou ao Congresso, em meados de abril deste ano, um projeto de lei com tramitação em regime de urgência, propondo a carga horária de 40 horas semanais e proibindo cortes salariais decorrentes dessa redução. Contudo, a escala 6×1, segundo Ferreira, impede que muitos trabalhadores se dediquem a lutas coletivas e à própria vida. “Militar, defender seus direitos, correr atrás já é difícil para quem não trabalha em escala 6×1. Nessa escala, é desumano, a pessoa mal consegue cuidar da própria vida. Então, realmente, é uma forma de desorganizar e mesmo de desumanizar”, observou o educador.
Dados recentes reforçam a preferência pela segurança da CLT. A pesquisa “O Trabalho no Brasil”, encomendada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Fundação Perseu Abramo e outras entidades sindicais, revelou que mais da metade (56%) dos trabalhadores do setor privado sem carteira assinada já teve experiência anterior com o regime CLT, e quase dois terços (59,1%) afirmaram que voltariam, sem dúvidas, a ter registro em carteira. Um levantamento da Vox Populi, que ouviu pessoas fora do mercado de trabalho (mulheres em atividades de cuidado não remunerado e estudantes), apontou que 52,2% gostariam de retornar, e 57,1% preferiam fazê-lo com carteira assinada, evidenciando a valorização dos direitos trabalhistas em um contexto onde a linha entre empreendedorismo e trabalho autônomo precarizado se torna cada vez mais tênue.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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