Movimentação de R$ 12 milhões atrai operação antifraude de SP para MS
Advogado investigado por lavagem de dinheiro tem fazenda em Costa Rica (MS) alvo de busca e apreensão do Ministério Público de São Paulo.
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Uma operação contra fraude tributária deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) chegou a Mato Grosso do Sul nesta quarta-feira (20). O único endereço no Estado alvo de mandado de busca e apreensão é uma fazenda localizada na MS-223, em Costa Rica, a 326 km de Campo Grande. A propriedade pertence a Nilo Fernando Sbrissa Lucafó, advogado apontado como “peça central de um circuito de lavagem” que movimentou R$ 12,2 milhões em pouco mais de um ano.
Movimentação financeira incompatível com renda declarada
De acordo com o relatório do MPSP, Nilo declara renda mensal de R$ 18.146,27 – R$ 217.755,24 nos doze meses analisados. No mesmo período, entre março de 2025 e fevereiro de 2026, sua conta bancária registrou movimentação de R$ 12.246.149,00, com R$ 5.954.971,00 em créditos e R$ 6.291.178,00 em débitos.
O MP classifica o padrão como “conta de trânsito”, com entradas e saídas praticamente equivalentes. O próprio banco comunicou atipicidade: foram identificados 334 depósitos em espécie fracionados em caixas eletrônicos, totalizando R$ 1.960.850,00.
Depósitos fracionados indicam lavagem de dinheiro
Para os investigadores, a fragmentação tem o objetivo de dificultar o rastreamento dos recursos. O comportamento é considerado incompatível com pessoa física e sugere origem informal dos valores. A descrição se encaixa na fase de colocação da lavagem de dinheiro.
Cunhado ex-diretor da Fazenda paulista é pivô do esquema
Nilo é cunhado de André Weiss, diretor-geral executivo da Administração Tributária de São Paulo até maio de 2026 – cargo considerado o “número 3” da Secretaria da Fazenda. Weiss foi preso na operação. Segundo o MPSP, ele transferiu R$ 200 mil para a conta de Nilo e os recursos circularam por uma rede de empresas.
“O conjunto configura circuito clássico de lavagem — colocação em espécie, ocultação por múltiplas transferências e integração em imóveis e participações”, diz o documento. O advogado teria atuado como canal para ocultar a movimentação de valores.
Operação Ícaro: fraudes no ressarcimento do ICMS-ST
As diligências são desdobramentos da Operação Ícaro, realizada em agosto de 2025. A investigação apura uma organização criminosa suspeita de atuar na Secretaria da Fazenda de São Paulo. Os crimes investigados são:
- Organização criminosa
- Corrupção ativa e passiva
- Lavagem de dinheiro
O esquema teria transformado um mecanismo legítimo de ressarcimento de ICMS retido por substituição tributária (ICMS-ST) em um mercado clandestino. Créditos de contribuintes e atos administrativos eram negociados, com vantagens indevidas entre 1% e 10% do valor dos créditos fiscais.
Conforme as investigações, profissionais particulares captavam grandes contribuintes, negociavam facilidades e repassavam parte dos honorários a agentes públicos. Estes, por sua vez, interferiam na fiscalização e tramitação dos processos para centralizá-los, acelerá-los ou deferi-los.
Um dos alvos teria repassado aproximadamente R$ 13,6 milhões ao então delegado regional tributário do Butantã entre 2021 e agosto de 2025. A investigação conta com acordo de colaboração premiada, documentos manuscritos, quebras de sigilos, relatórios do Coaf, dados de aparelhos eletrônicos e gravação ambiental.
Procurado pela reportagem, Nilo afirmou que não teve acesso à decisão judicial e está constituindo advogado. Sobre a movimentação financeira, disse que “essa informação, da forma que se apresenta, não corresponde com a verdade e será provada nos autos”.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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