Bolsonaristas do Rio Intensificam Pressão por Sucessão e Ameaçam Paralisar Congresso
Grupo de Flávio Bolsonaro busca intervenção de Davi Alcolumbre junto ao STF para instalar Douglas Ruas no governo fluminense, enquanto obstrução pode atrasar pautas cruciais para o Planalto.
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A articulação bolsonarista do Rio de Janeiro se intensifica para resolver o impasse na sucessão do governo fluminense. Com o objetivo de garantir a instalação de Douglas Ruas (PL) no Palácio Guanabara, o grupo busca a intervenção do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), junto aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para pressionar, as bancadas do PL, União Brasil e PP na Câmara e no Senado ameaçam obstruir os trabalhos legislativos nesta semana, movimento que pode impactar a agenda prioritária do governo Lula.
A crise sucessória no Rio de Janeiro se arrasta desde o fim de março, quando o então governador Cláudio Castro (PL) renunciou. A linha sucessória foi complexa: o ex-vice-governador Thiago Pampolha já havia deixado o cargo para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado, e o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, que seria o terceiro na fila, foi preso e perdeu seus direitos políticos. Com isso, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, assumiu interinamente o comando do estado, cenário que os bolsonaristas buscam reverter.
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), lidera a estratégia que visa colocar Douglas Ruas, atual presidente da Alerj e pré-candidato do PL ao governo, no posto provisoriamente. O plano é assegurar a Ruas um palanque eleitoral robusto e o controle da máquina estatal para as eleições de outubro deste ano. A tática foi debatida por Flávio durante sua recente viagem ao Rio, onde participou de um culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), ao lado do pastor Silas Malafaia, do ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), do ex-governador Cláudio Castro (PL), do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e do próprio Douglas Ruas.
A ameaça de obstrução no Congresso Nacional, por parte dos partidos aliados ao bolsonarismo, visa forçar uma solução para o vácuo de poder no Rio. Tal movimento pode prejudicar pautas cruciais para o governo Lula, como a aprovação do fim da escala de trabalho 6×1, que teve sua primeira reunião da comissão especial na Câmara nesta terça-feira (5) e é uma prioridade do Palácio do Planalto, de olho nas eleições de outubro.
Flávio Bolsonaro planeja conversar com Davi Alcolumbre nesta semana para solicitar a intervenção do presidente do Senado junto ao STF, onde o caso da sucessão fluminense está em julgamento. Contudo, o contato pode ser mediado por um interlocutor, já que Alcolumbre retorna hoje (6) dos Estados Unidos e, em dois dias, embarcará para Santa Catarina para reforçar campanhas de aliados, incluindo a do irmão de Flávio, Carlos Bolsonaro. Paralelamente, o primeiro-vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), deve dialogar com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), para reforçar a pressão.
Os bolsonaristas argumentam que Alcolumbre e Motta podem usar a institucionalidade de seus cargos para buscar uma solução junto ao STF, convencendo-os de que uma obstrução seria prejudicial aos trabalhos das Casas a apenas cinco meses das eleições. A preocupação central do grupo de Flávio é garantir que Ruas assuma o governo do Rio de forma legítima, oferecendo-lhe a visibilidade e o poder necessários para a disputa eleitoral. “Nós não estamos querendo nenhuma decisão a favor do Douglas Ruas. O que a gente quer é que o STF decida”, afirmou uma fonte do grupo, buscando desassociar a pressão de um mero almejo de vitória judicial.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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